Meu cérebro funcionava melhor no tempo que esse tipo de material chegava a esgotar nas bancas
A gente era fã da Editora Abril lá em casa. Meu pai, certamente preocupado em estimular nossos hábitos de leitura, presenteava a mim e meus irmãos com assinaturas de gibis variados, à nossa escolha. Lembro que assinávamos tanto Disney quanto Turma da Mônica e, no dia do mês em que o correio trazia o pacotinho verde escuro, parava tudo! Era a festa da molecada (pelo menos na minha cabeça era).
Com o tempo, por volta dos 11 anos de idade, pedi pra escolher outra coisa. Claro que eu continuava lendo as revistinhas (era assim que a gente chamava por estas bandas) infantis, mas eu já começava a sacar mais ou menos a estrutura das historinhas e meio que já sabia onde elas iriam terminar. Pedi para trocar a parte que me cabia pelo Pacotão Marvel (acho que era esse o nome), pois me parecia um mundo totalmente novo a explorar. Devidamente fisgado, não me contentava mais com o conteúdo que vinha com o carimbinho “Exemplar de Assinante” e torrava todo dinheiro que conseguia juntar nas revistas que não faziam parte do pacote, além de muita coisa da DC Comics e de uma das minhas preferidas: A Espada Selvagem de Conan. Sim, com 11 anos de idade.
Acreditava que conseguia esconder, mas hoje tenho certeza que meus pais sabiam perfeitamente que eu lia isso. Nunca esquartejei ninguém até a presente data, nem pretendo.
Encontrar outros amigos e primos que também gostavam de quadrinhos era o auge da diversão. O intercâmbio das revistinhas era a nossa internet, com opções infinitamente mais escassas de entretenimento, mas também com muito menos falta de foco. As horas dedicadas aos quadrinhos eram de imersão total – assim como as destinadas a escutar música, logo nos anos seguintes.
Hoje é uma grande época para se viver, mas naquela meu cérebro funcionava bem melhor.
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